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Situação dos reservatórios do Nordeste melhora, mas calor deve elevar a demanda por água e energia

 

Situação dos reservatórios do Nordeste melhorou, mas ainda inspira atenção. Foto: Insa

 

 

 

Entre setembro e novembro, o volume de água nos reservatórios da região Nordeste deve ser maior que os índices registrados no mesmo período do ano passado. Os dados estão no Boletim de Impactos em Áreas Estratégicas para o Brasil, produzido pelo Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Segundo o coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo, a situação ainda é crítica, especialmente no semiárido, mas as chuvas em volumes mais próximos à média histórica melhoraram o cenário. “A seca no Nordeste começou em 2012 e, até hoje, tem chovido abaixo do normal. Mas, em alguns meses de 2017 e 2018, os volumes foram mais próximos da média histórica. Por isso, hoje registramos uma situação menos pior que no ano passado e que deve se manter para o próximo trimestre”, explicou.

“Ainda não podemos dizer que os reservatórios do Nordeste estão em estágio de segurança hídrica, mas a indicação é que eles devem manter volumes mínimos para atender a população”, completou.

Influência da temperatura

A disponibilidade hídrica em todo o país também pode ser influenciada pelas condições climáticas no próximo trimestre. De acordo com a última previsão do MCTIC, as temperaturas em todo o Brasil devem ficar acima da média histórica, por causa do fenômeno El Niño. Com mais calor, a tendência é que aumente a demanda de água, tanto para consumo humano, quanto para a geração de energia elétrica, principalmente pelo uso mais intenso de ventiladores e aparelhos de ar condicionado.

“Nesse grau de aquecimento, reservatórios que não estão cheios são pressionados e o consumo da população pode piorar a situação. Crise hídrica não é só falta de chuva, tem a ver também com o consumo da população. Quando está mais calor, as pessoas consomem mais água e mais energia”, observou Marengo.